O poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia
31 de outubro de 1902 na cidade de Itabira, interior de Minas Gerais.
A fim de celebrar o aniversário desse literato
genial, escolhi o poema “Congresso Internacional do Medo”. Fi-lo, particularmente,
em face do apreço que dedico à 2ª fase do Modernismo brasileiro, a apresentar
uma poética de inquietação e questionamento social.
Nesse poema, ressai dos seus onze versos a despreocupação do poeta com as rimas e as sílabas poéticas distintas.
Por outro lado, a inquietude do eu lírico, acabrunhado diante do terror inescapável
da guerra e das ditaduras, destaca-se naquilo que ele designa como “congresso”,
de foro internacional, voltado ao culto de um substantivo abstrato, mas de
efeitos bem concretos: o medo.
Congresso
Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não
existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso
companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos
desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo
das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois
da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores
amarelas e medrosas
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