domingo, 21 de maio de 2017

MÚSICAS QUE RECOMENDO: "Canarios", de Gaspar Sanz (1640-1710)

Um dos poucos retratos de Gaspar Sanz que ficaram para a posterioridade. 


Quando estudante de violão, uma das composições que mais gostava de tocar era “Canarios”, composta pelo violonista espanhol Francisco Bartolome Sanz y Celma, conhecido em arte apenas por Gaspar Sanz (1640-1710). A exigência técnica a que é submetido o violonista, associada à inexpugnável beleza melódica, conduzia-me à leitura frequente da partitura de Sanz, que eu tinha em altíssima conta nos meus estudos de violão erudito.

Para além da sua importância história no contexto da música barroca produzida na Espanha do século XVII, "Canarios" é uma melodia de raríssima beleza, cuja notas álacres estão a atravessar impolutamente os séculos, a enternecer gerações e gerações de apreciadores da obra de Sanz. Ouvi-la é imaginar os violonistas daquele tempo pretérito, a empunhar habilidosamente suas "vihuelas". Nas cordas de tripas dedilhadas, pelos salões da Europa, enaltecia-se a melodia de "Canarios" qual expressão lídima da musicalidade das aves e da natureza no seu esplendor magnânimo, a contribuir para torná-la uma obra de arte erudita imorredoura, infensa à ação do tempo voracíssimo. 

Mesmo em face de todos esses anos, seja no meu coração de estudante de música de antanho, seja no tempo presente, quando já não estou mais a frequentar as classes do conservatório senão por reminiscência nostálgica, "Canarios" continua a encantar os meus ouvidos. Deleita-me tocar essa música! Assim, espero que o leitor venha a experimentar idêntico deleitamento ao meu.




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