
No dia 01 de outubro de 1903, nascia na
cidade de Kiev (Ucrânia) um dos maiores pianistas de todos os tempos e um dos meus artistas favoritos: Vladimir
Horowitz.
Para o leitor do blogue Metamorfose do Mal,
cultor da arte erudita como eu, separei este excerto de um dos últimos
concertos apresentados pelo mestre, a destacar a execução da "Polonesa em Lá bemol maior" (Op. 53) de Chopin - também conhecida em arte pelo cognome de "Polonesa Heroica". O ano era 1987. O palco: o Große Saal (também conhecido como goldener Saal) da Wiener Musikverein - uma sala de concertos da Áustria, celebérrima
em toda a Europa pela perfeição da sua arquitetura sonora.
Reputo interessante este concerto. Ele está a
revelar um artista gordo, já vetusto, debilitado pela decrepitude que decorre
naturalmente do avanço da idade e das doenças que lhe são correlatas. Na data
da realização desse concerto, Horowitz estava a contar 84 anos de vida.
Apesar da idade avançada, é notável seu
esforço ao longo de toda a apresentação em emular uma das características que o
celebrizaram com um dos maiores mestres do piano: o domínio impecável, com uma
precisão impressionante, da mecânica do instrumento.
Nessa toada, sempre que estou a assistir a
esse concerto Horowitz, faço gosto de pensar que ele é uma espécie de
ode involuntária ao talento artístico num grau supremo. Para um artista nesse
nível de inteligência musical, nem mesmo a velhice - a pior das doenças, como reza
o adágio dos antigos romanos - foi capaz de deter a potestade sonora das suas
mãos.
Só a morte, que lhe atacaria de modo inexpugnável apenas dois anos depois desse derradeiro concerto na Áustria, deteve Horowitz. Ou nem isso. Ao
fim e ao cabo, seu legado artístico é imorredouro. Imortal.
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