quarta-feira, 5 de março de 2014

COLUNA OBSERVATÓRIO DE METAMORFOSES COTIDIANAS: Paco de Lucía (1947-2014): Entre dos Aguas, Entre dos Mundos


Pouco antes do início do Carnaval, veio a notícia fatídica: Paco de Lucía morreu. Recebi-a por meio de um primo, violonista como eu, que lamentava numa rede social o falecimento do grande músico espanhol.
Paco de Lucía sofreu um infarto enquanto brincava com seus filhos numa praia do México. Não houve chance de salvá-lo. Infarto fatal, levou-o aos 66 anos. Jovem, se considerarmos a idade avançada a que muitas pessoas chegam hoje.
Infelizmente o infarto que matou o violonista parece ter sido tão fulminante quanto sua arte. Virtuose do violão, Paco de Lucía – nascido com o nome de Francisco Sánchez Gómez - notabilizou-se pela técnica exímia como que empunhava seu violão. A sonoridade que extraía do instrumento era potente. Suas mãos ágeis dedilhavam as cordas com tamanho vigor que a impressão do ouvinte era a de estar diante dum amplificador. E, no entanto, não estava. Havia apenas um homem e seu violão.
Paco de Lucía dedicou sua carreira ao flamenco. Compositor talentoso, na Espanha, já era um mito por suas rumbas. A mais conhecida é “Entre dos Aguas”. Mas é impossível não citar também temas como “Rio Ancho” e “La Barrosa”. Associando seu violão solo ao canto flamenco, Paco fez história por sua parceria com Camarón de La Isla, da qual resultaram nada menos que nove álbuns no período que se estendeu de 1969 a 1977.
Músico de talento inesgotável, Paco ousou levar o flamenco a outras paragens. Foi assim que atravessou continentes e foi alocar-se no jazz estadunidense. Aí gravou, em 1980, juntamente com os também violonistas Al Di Meola e John McLaughlin, um dos mais importantes álbuns do gênero no século XX: A Friday Night in San Francisco. Gravado ao vivo, trata-se de um registro impressionante do virtuosismo violonísitico. Basta ouvir uma composição como “Mediterranean Sundance” para ter a certeza de estar diante de uma obra-prima. Não sem razão, A Friday Night in San Francisco – que é um dos meus discos favoritos – influenciou toda uma geração de violonistas e guitarristas.  
Por todos esses motivos, hoje é impossível pensar a música flamenca, ou a cultura andaluza, sem que o nome do grande violonista espanhol seja citado. Paco morreu, semanas atrás, de infarto no México. Sua arte, sua música, todavia, permanecerá viva para sempre.   



Samba do Arnesto

O advogado e violonista Ernesto Paulelli (esq.) e o sambista Adoniran Barbosa.
Outra morte relacionada com a música foi a do advogado Ernesto Paulelli. Quase centenário, o causídico entrou para a história não propriamente por ser um grande jurista, senão pela carreira artística que desenvolveu muitas décadas antes de bacharelar-se em Direito e iniciar a militância na advocacia.
Ernesto era violonista e costumava acompanhar cantoras de samba. Em 1938, numa visita à Rádio Record, foi apresentado a Adoniran Barbosa. Este, ao saber do prenome do advogado, tratou logo de rebatizá-lo. “Seu nome dá um samba”, afirmou Adoniran. Dito e feito. O sambista transformou Ernesto em “Arnesto”. E o Arnesto virou samba: “Samba do Arnesto”. Até hoje um dos mais divertidos registros fonográficos da conduta do mau anfitrião (aquele que convida os amigos para um evento e escapole). Episódio que o Dr. Ernesto, o advogado, nunca admitiu ter ocorrido na vida real. Só pode ter sido coisa do Arnesto, então.  


E o Oscar de melhor filme vai para o “selfie” de Ellen DeGeneres

Foto do "selfie" realizado pela apresentadora Ellen DeGeneres: momento mais importante do Oscar 2014.
E a tradicional festa do Oscar acabou por coincidir com o Carnaval no Brasil. Com isso, dividiu a atenção da grande imprensa, que ora trazia notícias do desfile das escolas de samba, ora de outro desfile: o das estrelas de Hollywood pela tapete vermelho.
Particularmente, sempre tive sérias reservas ao prêmio do Oscar. Enquanto premiação baseada em critérios artísticos, a Academia é um engodo. Só assim se explica Rocky ter vencido Taxi Driver na categoria de melhor filme em 1977. O mesmo se pode dizer de “Gente como a Gente” ter derrotado “Touro Indomável” em 1981. Ao longo do tempo, sequer se pode dizer que houve evolução no rigorismo do prêmio. Resultados recentes, como a vitória de “Forrest Gump” sobre “Pulp Fiction” em 1995, e a absolutamente inaceitável escolha do fraquíssimo “Argo” como melhor filme em 2013, demonstram que o Oscar é uma festa que só se presta para tirar foto, exibir vestidos, marcas de estilistas e inflar o ego de celebridades. Serve para tudo, só não serve para cinema. É patente, já faz alguns anos, a baixa credibilidade dessa premiação.
Incomoda dizer isso. Sei-o bem. Mas infelizmente há quem leve o Oscar a sério enquanto celebração artística, negando-se a ver que não passa de artifício mediante o qual a indústria hollywoodiana premia o poder arrecadatório, as altas cifras investidas em campanhas, enfim, tudo que repercute na esfera mercadológica, na esfera do dinheiro (e quem duvida que haja corrupção, compra de votos nos bastidores?). Nesse sentido, a festa do Oscar é idêntica a qualquer evento promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (tudo bem, com um pouco mais de glamour).     
Que dizer então da transmissão pela TV brasileira? Uma festa que já é chata por natureza fica ainda pior com aqueles comentaristas que, não sendo críticos de cinema, quase nunca viram as obras que se propõem a avaliar ali. É constrangedor ouvir comentários do tipo "ele mereceu", "ela arrasou com esse vestido", "estou torcendo por ele". Profundidade analítica total. Pior ainda a tal da tradução simultânea. Quão ingrata é a tarefa dos coitados dos tradutores, que se desdobram para traduzir piadas que só fazem sentido mesmo na cultura estadunidense. Isso para não falar nos tais discursos dos vencedores, com aquelas lágrimas de crocodilo, e o lenga-lenga de agradecimentos a pai, mãe, esposa, cachorro, papagaio etc. que torna tudo um show da Xuxa insuportável - cafona e autopromocional.   
Por isso não surpreende que a cobertura jornalística da cerimônia realizada em Los Angeles seja sempre vergonhosa. Dá-se muito destaque aos vestidos de atrizes, ao passo que os filmes (o que realmente importa num evento desses) são citados de maneira en passant, muita vez na mais absoluta displicência, ou totalmente ignorados (caso dos documentários). O descaso pela nona arte explica, igualmente, que o tal “selfie” da apresentadora Ellen DeGeneres tenha chamado mais atenção da imprensa que o grande vencedor da noite - a película “12 anos de escravidão”. Quase todos os textos dos jornais e sítios na internet narraram o “feito histórico” de DeGeneres, que, com um autorretrato patético de celebridades hollywoodianas, obteve milhões de compartilhamentos em redes sociais. E o que isso importa para a arte? Nada, absolutamente nada. 
Não obstante, os mesmos jornais que davam destaque ao "selfie" replicado com entusiasmo em redes sociais não se arriscaram a explanar o valor artístico do filme dirigido por Steve McQueen, que características o credenciaram a receber o mais importante prêmio da noite ou qual sua relevância no contexto da cinematografia contemporânea. Os “12 anos de escravidão”, quem diria, levaram apenas alguns segundos para serem esquecidos pelo “selfie”.   
A esta altura o leitor já deve ter percebido que este colunista não perde seu precioso tempo de vida a assistir à transmissão do Oscar. Prefere empregá-lo de maneira bem mais útil para quem gosta de cinema, isto é, a ver os filmes que são tratados como produto de segunda categoria numa celebração que se importa mais com as celebridades ali presentes que propriamente com as obras postas para julgamento. Apesar disso, pelo menos um fato na festa deste ano despertou-me a atenção: o número musical de Bette Midler. A atriz e cantora apresentou-se no momento da cerimônia dedicado a homenagear aqueles profissionais ligados ao mundo da arte cinematográfica que faleceram em tempos recentes. Tinha tudo para ser uma bela e justa homenagem (notável a citação do brilhante documentarista brasileiro Eduardo Coutinho). Tinha, mas não foi. Bette Midler desafinou de maneira grotesca. No final, ainda perdeu o fôlego. E o que era para ser uma homenagem aos “mortos do cinema”, acabou por se tornar o sepultamento dos ouvidos humanos.


Quando a antipatia e a burrice tornam galãs da Globo feios (#sqn)

O ator Gabriel Braga Nunes na concentração da Escola de Samba "Grande Rio". 
E um grande jornal de São Paulo noticiou com o sensacionalismo de sempre que o ator Gabriel Braga Nunes, galã da novela das nove da Rede Globo, deu um show de antipatia na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, ele se negou a tirar fotos com fãs na saída do desfile da Escola de Samba “Grande Rio”. Procuradas, as fãs do ator não esconderam sua decepção. “Eu achava ele bonito até agora. Mas ele é tão nojento que fica até feio”, disparou uma das moças.
Diante de uma notícia importantíssima dessas, eu me pus a imaginar como reagiram as fãs do ator Caio Castro ao saber do seu semianalfabetismo, pobreza intelectual, sua mais absoluta falta de cultura, manifesta no desprezo assumido pela leitura e pelo teatro. “Eu achava ele bonito até agora. Mas ele é tão burro que fica até feio”.
Infelizmente, é pouco provável que as fãs do ator Caio Castro tenham pensado dessa maneira. Porque para admirar um sujeito que se congratula nacionalmente pelo desprezo aos livros e ao teatro, é preciso não simpatizar com a cultura também. 
E ainda tem mulher por aí que se põe a dizer que inteligência num homem é afrodisíaco. Vai saber.    

Loira Burra do BBB 14

Em destaque,  Tatiele Polyana, a participante do BBB 14  que levou a fama de "loira burra" do programa.
Burra mesmo entre os mais burros. 
Enquanto o reality show Big Brother Brasil, na sua 14º edição, não acaba, o jornalismo de celebridades vai-se aproveitando do zoológico humano que a turma do Boninho, sob a batuta do pseudopoeta e ex-jornalista de respeito Pedro Bial (e pensar que ele cobriu a queda do muro de Berlim...), armou numa casa cercada de câmeras.  
Na última coluna tratei da “periguete” Letícia Santiago, mais uma dessas “vergonhas jurídicas” que ostentam um diploma de bacharel em Direito, não obstante seu semianalfabetismo descarado.  Pois agora fico sabendo por meio dum conhecido sítio de entretenimento na internet que a participante Tatiele Polyana, apelidada de Poly por seus colegas debiloides, encarnou o estereótipo da “loira burra”. A moça, que detém atributos corporais inegáveis para cumprir o seu objetivo de vida (ser capa da Playboy e descolar uma graninha), estaria a protagonizar várias tentativas de homicídio contra a língua de Camões no programa. Segundo apurou a reportagem, a beldade loira cometeu os seguintes erros gramaticais: confundiu “mosqueteiros” com “escoteiros”; ao falar de astrologia, trocou “ascendente” por “cedente”; pronunciou “gafe” como se fosse “gáfia”; chamou “amídalas” de “amídolas”; ao se declarar para um dos participantes, disse que sentia um amor “patônico” (e não platônico) por ele; confidenciou a uma amiga próxima na casa que sempre achou que “estupro’ na verdade fosse “estrupo”; demonstrando todo o seu conhecimento na geografia do País, perguntou se Porto Alegre tem praia; soletrou “ostentação” com “h” (h-o-s-t-e-n-t-a-ç-ã-o). Mas a melhor de todas para mim foi esta aqui: na prova do líder, Bial perguntou para Slim e Letícia (sim, ela mesma, nossa sapientíssima bacharela em Direito!) quem escreveu o romance “Dom Casmurro”. Como nenhum dos dois conseguiu lembrar o nome do maior escritor brasileiro, Poly resolveu ajudar e perguntou aos colegas: “O que é ‘Dom Casmurro’?”. Nessa hora, Machado de Assis deve ter-se revirado no caixão.
Para ser sincero, o que verdadeiramente preocupa este colunista não é nem o assassinato a que está a ser submetida a língua portuguesa. Tais atentados contra a gramática são previsíveis num programa que se propõe a reunir numa casa os filhos da classe média que, não obstante o patrimônio familiar que lhes faculta o acesso à cultura, nasceram com o cérebro do tamanho duma casca de noz e o QI de uma ostra. O que preocupa mesmo este colunista é saber que a loira já arrumou um namorado dentro da casa que a compreende e apoia. Ou seja, ato contínuo ao ato sexual que eles certamente hão de protagonizar sob o edredom, mas ainda diante das câmeras do reality show, logo teremos a fusão de dois códigos genéticos em relação aos quais a natureza foi cruel o bastante para suprimir integralmente os neurônios. Assim, tudo o que este colunista pode dizer é que sente, desde já, pena dessa criança nas provas da escola. Não vai ser nada fácil ser aprovado no ENEM após herdar o patrimônio genético de um casal que se forma num programa como o BBB (e cuja genitora consegue o feito histórico de ser considerada "burra" mesmo por aquelas pessoas que já são, de per si, as mais burras nos seus respectivos extratos sociais). Talvez por isso o "esquecido" Machado de Assis, autor do "ignorado" romance "Dom Casmurro", tenha afirmado que não teve filhos, porque não quis transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.     

Micareta não é carnaval. "Lepo, Lepo" não é samba enredo

Capa do single "Lepo, Lepo", do grupo Psirico, "hit" na micareta carnavalesca de Salvador em 2014.

Usando dum aparelho de telefone celular inteligente, dias atrás estive a conversar com uma amiga sobre o Carnaval. Na ocasião, contestei o caráter carnavalesco da festa em Salvador. De fato, se observarmos com cuidado, verificaremos que, no carnaval na capital baiana, há muitas peculiaridades: o trio elétrico substitui o carro de desfile, os hits de axé substituem as marchinhas, abadá substitui fantasia, e samba enredo simplesmente não existe, porque a caminhada sai de um ponto a outro sem qualquer finalidade de julgamento artístico. Onde está o carnaval? Para este colunista, carnaval encontra-se em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo etc. O que ocorre em Salvador é micareta carnavalesca, que é evento no qual as pessoas pagam caro para ouvir música ruim e puxar umas as outras pelos cabelos, beijando-se lascivamente na famosa “pegação” (nunca entendi o que leva uma mulher a se submeter a um ritual de conquista desse nível, desrespeitoso ao extremo, sobretudo cercada por homens que se comportam como se vivessem alijados da civilização, nas montanhas com os gorilas ou numa caverna de neandertal). No "carnaval" em Salvador, a impressão que fica é a de que tudo o que importa é “levantar poeira” e “pegar geral”. Onde está a proposta artística? Até mesmo o caráter popular da festa, tradicional nos “blocos de rua”, já se perdeu, haja vista o fato de os abadás custarem uma pequena fortuna, tanto que até a classe média precisa parcelar de dez vezes no cartão para poder pagar (vale lembrar que um abadá do bloco do péssimo Chiclete com Banana estava a ser vendido ao custo absurdo de R$ 3.500,00).  
Este colunista, portanto, salvo melhor juízo em contrário, mantém a opinião que sustenta desde a sua infância e adolescência - período no qual a axé music viveu seu apogeu e decadência comercial no Brasil e do qual o colunista orgulha-se de ter saído incólume, sem nunca ter vestido um abadá, já que seu ouvido nunca tolerou “danças da bundinha”, danças da garrafa” ou “rebolations”. “E que opinião é essa?”, indaga o leitor. Simples: Salvador não tem carnaval, tem micareta. Abadá não é roupa, é ingresso. E axé music não é música, é trilha sonora para vender abadá. Ah! Antes que me esqueça: “Lepo, Lepo” não é marcha de carnaval nem é samba enredo; é demonstração de oportunismo (de quem canta), mau gosto (de quem ouve) e falta de respeito próprio (de quem dança a coreografia desse lixo). 
PS: Em respeito aos poucos leitores que prestigiam o trabalho deste colunista, poupá-los-ei de reproduzir aqui o vídeo clipe do hit "Lepo, Lepo".       

Minha folia é na Folía


Conversando com outra amiga, esta musicista, via mensagens trocadas por um aplicativo de telefone celular, fui perguntado a respeito do meu carnaval. Respondi a ela que aproveitei bastante a festa na folía (com acento agudo mesmo). Ela ficou sem entender. Conhecendo-me dos tempos do conservatório, instituição onde estudamos juntos (ela violinista, eu violonista) e sempre tivemos muita afinidade pelo nosso amor à arte, sempre fomos muito próximos (tão próximos que chegamos a engatar um namoro), disse que desconhecia o meu lado folião. “Para alguém que sempre buscou direcionar seus estudos violonísticos em prol da formação dum repertório de música erudita inglesa renascentista e do barroco alemão, saber que tu pulas carnaval é uma surpresa e tanto”.
Pois este colunista reafirma: embora não seja do seu perfil pular o carnaval, nada tem contra a festa. Muito pelo contrário. Ressalvados os excessos, a exemplo da embriaguez no trânsito e as brigas entre foliões, a celebração da quadra momesca é momento singular da cultura brasileira. Desprezá-la é ignorar o que de original e característico existe no País. Portanto, este colunista gosta, sim, de carnaval, ainda que prefira permanecer no conforto do seu lar, a usufruir o descanso deste longo e extremamente bem-vindo feriado.  
Entretanto, a amiga musicista equivocou-se ao não perceber que o acento agudo no “i” era diferencial (não pelo viés da gramática, mas sim da teoria musical). Na realidade, o colunista falou a sério quando disse que aproveitou bastante a folía. Pois “folía”, com acento agudo, remete à “folía de España”, gênero musical europeu antigo, tão antigo que um de seus primeiros registros está anotado na obra do dramaturgo português Gil Vicente (a afamada "dança dos pastores").
Assim, quando respondi a esta amiga, embora ela não se apercebesse, referia-me aos esquemas harmônicos que compõem os temas da “folía”, e que têm no músico Jordi Savall, exímio especialista na viola da gamba, um dos seus grandes pesquisadores no mundo.

Tal qual Jordi Savall, a “folía de España” faz mais o meu estilo que a “folia do Brasil”.  


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